16/9/18

Argentina celebra centenário do primeiro tango cantado


Argentina celebra centenário do primeiro tango cantado
'Mi noche triste', do pianista Samuel Castriota com os versos de Pascual Contursi e interpretada por Gardel, foi gravada em 9 de abril de 1917
EFE
18 Abril 2017 | 09h33
Membros da Academia Nacional do Tango se reuniram nesta segunda-feira, 17, para comemorar o centenário da gravação de Mi noche triste, canção interpretada por Carlos Gardel e considerada o primeiro tango cantado.
Em 9 de abril de 1917 foi gravada a canção do pianista Samuel Castriota com os versos escritos por Pascual Contursi e cantados por Gardel, lembrou à Agência Efe Alicia Contursi, neta do autor da letra da música.
Foi um momento "transcendental" na história do gênero porque Contursi dá um "giro" no tango ao criar letras com um argumento que se afastava da temática própria do momento, quando as melodias eram cantadas nos prostíbulos, e leva aos palcos dos teatros.
"Meu avô pega uma música já existente (Lita), acrescenta os versos e se atreve, em uma época completamente machista, a chorar por uma mulher, por um amor perdido e instaura essa temática, a do abandono", comentou Alice.
A descendente do célebre artista defendeu a vigência do tango e assegurou que se trata de um gênero que possui um valor histórico que deve sustentar-se ao longo do tempo.
Na opinião da neta de Contursi, o tango continua "em vigor" na dança e na música e, em sua opinião, atualmente há "muito bons " letristas no gênero, embora tenha ressaltado que "não têm o apoio popular que tinham naquela época".
Durante o ato na Academia Nacional do Tango, Contursi falou da figura de seu avô, que só pôde conhecer através de suas canções, enquanto acadêmicos da instituição se referiram ao artista de uma perspectiva histórica.
No próximo mês de setembro, a Academia Nacional do Tango desenvolverá um congresso sobre a "centralidade" do tango na cultura argentina e sua relação com outras expressões artísticas como o teatro, o cinema e todas as disciplinas que o tango "nutriu", explicou Roberto Luis Martínez, membro do conselho diretor da instituição.


Fonte: Estadão 

21/11/11

Namorar é bom de qualquer jeito...

Do Blog Sobre Palavras de Sérgio Rodrigues (colunista revista Veja). Consulta do leitor

Namorar alguém ou namorar com alguém?
    “Quero saber o uso correto de ‘namorar’. Quando eu cursava o 2º grau, diziam que a expressão ‘Fulano vai namorar com sicrano’ era incorreta, porque indicava que fulano iria namorar próximo a sicrano, cada um com seu par. No caso, o uso correto não seria ‘Fulano vai namorar sicrano’? Agradeço a oportunidade.” (Eudes Júnior)

A consulta de Eudes é simples, mas ilustrativa. Infelizmente, nunca estiveram em falta na galeria dos tipos humanos aqueles que gostam de dar palpite furado tanto na vida amorosa quanto na língua dos outros, e no caso do verbo namorar os dois gostos se fundem num só.
 
Namorar é uma palavra que deriva de enamorar (en+amor+ar) com a perda do fonema inicial, um fenômeno linguístico chamado aférese, mas isso não vem ao caso aqui. O que importa é saber que, dependendo do uso, namorar pode ser transitivo direto, transitivo indireto ou mesmo intransitivo. Direto: “Ele a namorou”. Indireto: “Ele namorou com ela”. Intransitivo: “Eles namoraram”. Pode ser até pronominal, com o sentido de “encantar-se” – “namorou-se dela” – mas este uso é pouco comum: normalmente, para dizer isso, opta-se por “enamorar-se” mesmo.

Uma grave desatualização ou apego excessivo à famigerada “norma padrão” explica o ensinamento errado que Eudes recebeu na escola e que muitos professores, infelizmente, ainda espalham por aí, inclusive transformando a questão em pegadinha nas provas. Recomenda-se cuidado com eles. O fato é que o verbo namorar surgiu no século 13 e tudo indica que só passou a ser aceito no português culto como um verbo transitivo indireto de cem anos para cá. No entanto, convém repetir o que diz o Aurélio, um dicionário que está longe de ser conhecido como avançadinho nessas questões: “O uso de namorar com esta regência [namorar com] é perfeitamente legítimo, moldado em casar com e noivar com”.

Ah, e não se trata de uma liberalidade brasileira, é bom frisar. O dicionário da Academia das Ciências de Lisboa também admite a regência “namorar com”.

20/11/11

Domingo no Parque

"Domingo no Parque" é uma das obras que fundaram o movimento Tropicalista, que tem como autor o cantor e compositor Gilberto Gil. Trata-se de uma música narrativa, que conta a história de dois rapazes amigos: um deles é José, o rei da brincadeira, e o outro João, o rei da confusão.


 Esse trecho foi extraído da versão executada no Festival Internacional da Canção da Record, de 1967, quando Gil dividiu o palco com o jovem grupo de rock chamado Os Mutantes.

Domingo no Parque
Gilberto Gil


O rei da brincadeira
Ê, José!
O rei da confusão
Ê, João!
Um trabalhava na feira
Ê, José!
Outro na construção
Ê, João!...


A semana passada
No fim da semana
João resolveu não brigar
No domingo de tarde
Saiu apressado
E não foi prá Ribeira jogar
Capoeira!
Não foi prá lá
Pra Ribeira, foi namorar...


O José como sempre
No fim da semana
Guardou a barraca e sumiu
Foi fazer no domingo
Um passeio no parque
Lá perto da Boca do Rio...


Foi no parque
Que ele avistou
Juliana
Foi que ele viu
Foi que ele viu Juliana na roda com João
Uma rosa e um sorvete na mão
Juliana seu sonho, uma ilusão
Juliana e o amigo João...


O espinho da rosa feriu Zé
(Feriu Zé!) (Feriu Zé!)
E o sorvete gelou seu coração
O sorvete e a rosa
Ô, José!
A rosa e o sorvete
Ô, José!
Foi dançando no peito
Ô, José!
Do José brincalhão
Ô, José!...


O sorvete e a rosa
Ô, José!
A rosa e o sorvete
Ô, José!
Oi girando na mente
Ô, José!
Do José brincalhão
Ô, José!...


Juliana girando
Oi girando!
Oi, na roda gigante
Oi, girando!
Oi, na roda gigante
Oi, girando!
O amigo João (João)...


O sorvete é morango
É vermelho!
Oi, girando e a rosa
É vermelha!
Oi girando, girando
É vermelha!
Oi, girando, girando...


Olha a faca! (Olha a faca!)
Olha o sangue na mão
Ê, José!
Juliana no chão
Ê, José!
Outro corpo caído
Ê, José!
Seu amigo João
Ê, José!...


Amanhã não tem feira
Ê, José!
Não tem mais construção
Ê, João!
Não tem mais brincadeira
Ê, José!
Não tem mais confusão
Ê, João!...


Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!
Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!
Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!
Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!
Êh! Êh! Êh Êh Êh Êh!...